Ética na Inteligência Artificial

(8 minutos de leitura) Quem deve ensinar a IA o que é certo ou errado é o homem. Agora, é possível que as máquinas consigam superar uma pessoa em decisões éticas?

Ética na Inteligência Artificial

(8 minutos de leitura)


O desenvolvimento da inteligência artificial (ou simplesmente IA) começou logo após a Segunda Guerra Mundial, com o artigo "Computing Machinery and Intelligence" do matemático inglês Alan Turing.

A construção de máquinas inteligentes é de interesse da humanidade há muito tempo, havendo na história registros significantes de autômatos mecânicos reais, quanto de personagens fictícios construídos pelo homem com inteligência própria, tais como o Frankenstein. Tais relatos, lendas e ficções demonstram expectativas contrastantes do homem, de fascínio e de medo, em relação à Inteligência Artificial. 

Agora qual o verdadeiro significado de inteligência artificial? Resumindo: é a capacidade de uma máquina realizar atividades de uma forma considerada inteligente. Ou seja, um dispositivo tecnológico que deve conseguir simular habilidades humanas como a análise, o raciocínio e a percepção do ambiente. Porém, com maior potencial de repetição, eficiência e agilidade.

Assim, computadores, máquinas e sistemas podem ser treinados para realizar tarefas específicas. Tudo isso enquanto processam grandes quantidades de dados (Big Data), reconhecendo padrões e adequando suas execuções.

O desenvolvimento da IA envolve profissionais das seguintes áreas: tecnologia, filosofia, linguística, biologia, psicologia, neurociência, entre muitos outros.


A IA HOJE

Hoje em dia a IA está muito mais presente em nossas vidas do que imaginamos. Estamos em contato com ela o tempo todos e muitas vezes nem percebemos. Hoje já confiamos a IA a escolha do filme que iremos assistir ou da música que iremos ouvir.

Além disso, a Inteligência Artificial também ajuda empresas a entenderem o comportamento de seus clientes, otimiza a logística, faz pesquisas, detecta fraudes, faz identificação facial, faz traduções, joga xadrez e compõe músicas. A IA consegue até desvendar o que está dentro de uma geladeira e informar os seus usuários o que está acabando, ou sugerir cardápios com base nos ingredientes que a pessoa possui.

A verdade é que o uso da IA está cada vez mais presente e nossas vidas. De acordo com o autor israelense Yuval Noah Harri, nas próximas décadas, o Big Data e a Inteligência Artificial irão se aperfeiçoar tanto a ponto de tomarem decisões por nós, tais como: escolher o par romântico, escolher a profissão com uma busca no Google e escolher em qual candidato votar em uma eleição. Ainda de acordo com Yuval, a tendência é que, com o passar dos anos, passemos a confiar mais nos algoritmos do que em nós mesmos. 


A ÉTICA NA IA

A palavra ética vem do grego ethos que significa “aquele que possui caráter”. É uma área da filosofia que se dedica a entender, discutir e postular sobre assuntos morais. 

Há muito tempo se discute a ética e a moral na IA.  Desde quando a tecnologia era apenas uma ideia presente nas obras de ficção científica, muitos questionavam quais os limites da aplicação da Inteligência Artificial. Em suas obras, o famoso escritor e estudioso Isaac Asimov desenvolveu as “Três Leis da Robótica”, com o objetivo de tornar possível a coexistência de humanos e robôs inteligentes:

1ª Lei: um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.

2ª Lei: um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei.

3ª Lei: um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis.

Asimov acrescentou mais tarde a “Lei Zero”, que está acima das outras e define que um robô não pode causar mal à humanidade ou, por omissão, permitir que a humanidade sofra algum mal.

Como seres humanos sabemos dizer o que é certo ou errado. E o mesmo acontece com as empresas que são controladas por uma governança corporativa. Agora, quando falamos de Inteligência Artificial a pergunta é: como podemos inserir a noção de certo e errado em máquinas?

A IA não tem consciência de si mesma. Ela funciona com base nos dados que recebe e, a partir deles, aprende (Machine Learning). O problema é que quando tratamos de questões éticas a IA só consegue separar o certo do errado com base nos dados que recebeu. Sozinha, ela não tem esse poder. Além disso, a tecnologia não possui conhecimento sobre si mesma, muito menos tem o sentimento de empatia, algo fundamental para a ética. Como a Inteligência Artificial é treinada, ou seja, depende de seu desenvolvedor, caso o próprio desenvolvedor possua más intenções, a máquina será treinada para esses padrões.


COMO ENSINAR ÉTICA A UMA MÁQUINA

Cabe a nós seres humanos ensinar a IA o que é certo ou errado, agora é possível que as máquinas consigam superar uma pessoa em decisões éticas, afinal são ausentes de emoções. Em momentos de pânico, muitas vezes as pessoas esquecem a ética e seguem seus instintos, como por exemplo em um acidente de carro em que motorista foge sem prestar socorro à vítima, por medo da punição.

O carro autônomo é um dos maiores exemplos de tomada de decisões ética que iremos encontrar ao falar de IA. O carro autônomo além de evitar acidentes por falhas humanas como falta de atenção, segue diretrizes éticas melhor que os homens em momentos de crise, desde que seja programado para isso. Ele pode ser configurado para parar e ajudar estranhos em apuros ou mudar de pista para salvar a vida de uma criança que esteja em seu caminho.

Yuval Noah Harari diz que as montadoras como Tesla ou Toyota poderão oferecer aos homens dois tipos de carros autônomos, um egoísta e outro altruísta. O primeiro será programado para preservar a vida do dono a qualquer custo, mesmo que isso signifique matar outras pessoas. Já o segundo sacrificará o dono por um bem maior. Quem escolherá o modelo será o consumidor a partir de sua visão filosófica.

Outro exemplo citado por Harari em 21 lições para o século 21 é o processo seletivo de empresas. Se o algoritmo que selecionar os currículos para uma vaga for programado para ignorar a raça e o gênero dos candidatos, provavelmente ele evitará muitos casos de discriminação no mundo do trabalho.

Ou seja, a IA não é perfeita e, assim como nós, seres humanos, máquinas também podem errar. E a maior falha está no seu processo de criação, que pode ser influenciado pelos vieses dos programadores, ideologias políticas, preconceitos e interesses econômicos.

Não podemos esquecer que com os avanços da tecnologia surgem inúmeros riscos, mas por outro lado esse progresso resulta em uma vida melhor para a humanidade. O verdadeiro potencial da Inteligência Artificial é ainda muito amplo e incerto mas, sem dúvidas, irá trazer muitos benefícios para nossas vidas desde que seja implementado com muita ética e responsabilidade.


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Referências:
https://bit.ly/3r2hSxq
https://bit.ly/3LKN8ZI
https://bit.ly/3uQOATI
https://bit.ly/38v6zYo
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